Entrevista: Two Heartbreakers Down

Provavelmente você ainda não conhece o Two Heartbreakers Down, mas deve se lembrar muito bem do Vilania. Radicados em Londres e agora mais circunspectos, Rafael Oliver e Thamila Zenthöfer (fundadores da extinta banda sorocabana que teve grande projeção no cenário nacional) anunciaram o novo grupo recentemente e já começam a chamar a atenção pela originalidade. Lullabies To Woody Harrelson, EP de estreia, traz quatro faixas e foi mixado pelo velho comparsa Pêu Ribeiro. Saca só!

Como o próprio nome sugere, a banda é formada apenas pelo casal e soa intimista: cordas, vozes, meia-lua, palmas e assovios. Do It Yourself. Nada de bateria ou viagens eletrônicas.  “A ideia era celebrar a música em nada mais nada menos do que o ‘tesão por música’. Manja quando você tem 13/14 anos e começa a aprender a tocar um instrumento e aquilo muda sua vida?”, explica o guitarrista Oliver, que também compôs todas as faixas.

Durante a passagem do fotógrafo Fabricio Vianna pela Inglaterra, a dupla gravou com ele dois clipes para as faixas “You Owe Me a Fortune” e “We All Rise Creatures In The Morning” – que você confere no decorrer desse post. Troquei uma ideia detalhada com o Rafael Oliver para entender melhor a vibe do duo, momentos & projeções. Também falamos sobre o Red Lion Licks, banda que o casal integra ao lado de Chokis Costa (baixo) e Ale Cruz (bateria). Confira!

E aí, Rafael. Na paz? Ouvi o EP do Two Heartbreakers Down recentemente e achei chapado, parabéns. Dá pra dizer que essa é uma fase mais experimental sua e da Thamila?

E aí, Renan. Beleza! Então… acho que chamar a fase de ‘tranquila’ é mais ideal. Fazemos músicas pra nós do jeito que gostamos, sem muita preocupação. Talvez por isso soe mais experimental, saca?

Pelo o que entendi, desde nome da banda até a estrutura áudio e visual, vocês querem mesmo que soe como um lance intimista, feito a dois. É por aí mesmo?

Exato! A ideia era celebrar a música em nada mais nada menos do que ‘tesão por música’. Manja quando você tem 13/14 anos e começa a aprender a tocar um instrumento e aquilo muda sua vida? Que a cada música que aprende rola aquele puta tesão, aí cresce uma chama enorme dentro daquele adolescente em querer formar uma banda e literalmente kick some ass? Depois esse adolescente cresce e fica muito sério, profissional. Queríamos gravar um EP com o Rafael e a Thamila de 14 anos: cru, violão (ou guitarra) e voz apenas, com aquela velha chama. Só isso.

Legal! “We All Rise Creatures in the Morning”, a minha favorita do EP, e “You Owe Me a Fortune” ganharam clipes bem bonitos, mas que soam um pouco melancólicos. Vocês queriam de fato passar essa impressão ou a minha interpretação é subjetiva demais?

O Fabrício Vianna estava em casa para uma temporada, resolvemos aproveitar e captar as imagens. Saímos por duas noites no centro de Londres, no Soho, gravar sem uma ideia 100% definida. Depois que pensei em fazer um vídeo e usá-lo para as duas músicas (uma mais punk com uma letra de protesto e a outra uma balada sobre uma reflexão) e mostrar que tudo tem dois ou mais pontos de vista. A cara melancólica ficou por natural mesmo e gostei. Talvez fosse a vibe daqueles dias.

Eu ainda era bem pivete, mas cheguei a ver uns shows do Vilania antes de vocês saírem do país. O que mudou na vida de vocês de lá pra cá?

Nossa, mudou muita coisa! Experiência de vida enorme nos virando sozinhos na Europa por cinco anos. Chegamos aqui com £300 (o que é suficiente para uma semana), sem casa, sem trampo e com uma passagem de volta para uma semana. Pensamos: vamos ficar na rua por quatro dias, se nada rolar de trampo, pagamos um hostel com o resto da grana pro resto dos dias e voltamos. E aqui estamos. O resto você pode imaginar.

E vocês pretendem fazer shows nesse formato ou é pra ser um projeto de estúdio mesmo?

Não estamos pensando em nos apresentar ao vivo com esse formato ainda. Queremos gravar o segundo [EP]. Estou escrevendo [as músicas] e estamos com mais de 80% pronto, mas nunca se sabe. É um rolê tranquilo: o que rolar rolou. Já fizemos uns shows particulares nas casas de amigos aí haha.

Vocês foram inspirados por algum artista específico nesse trabalho?

Usamos como inspiração os discos solos do John Frusciante e a série American, do Johnny Cash. A nossa é a versão Death Acoustic disso (claro, sem pretensão alguma de comparar a esses trabalhos). Ah! Sabe o Jack Black tocando qualquer coisa do AC/DC no violão bem toscão? Então, a imagem dele fazendo isso também foi uma grande inspiração haha.

Sensacional! Recentemente vocês formaram a banda Red Lion Licks, que parece ser uma empreitada despretensiosa do ponto de vista logístico. Pretendem se reunir novamente?

Foi algo que rendeu muitos contatos e amizades inesperadas, e foi muito natural como rolaram os sons e a química. Temos vinte músicas novas para escolher e fazer o segundo. Assim que o Alê puder retornar a Londres será aprontado em nível de urgência. Aí vão rolar uns shows e tal. Mas ainda não sabemos quando ele vem.

Sentem saudades do Brasil? Quando veremos vocês novamente por aqui?

Nossa, saudades sem fim! Sempre que está pra rolar, algo acontece e ficamos. Mas ano que vem é a meta! Não vejo a hora.

Obrigado, cara!

*Entrevista publicada originalmente no Blog Do Asteroid

Anúncios
Categorias EntrevistasTags , , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close